O debate sobre uma possível SAF no São Paulo ganhou um novo capítulo com a apresentação de um modelo que busca equilibrar a entrada de um grande investidor com a preservação da identidade e do patrimônio do clube. A proposta defende que, antes mesmo de buscar um parceiro financeiro, o Tricolor precisaria promover uma profunda reforma em seu estatuto.
A ideia central é que nenhum investidor de grande porte aceitaria assumir o futebol são-paulino sem garantias de estabilidade na gestão. Segundo a proposta, o atual modelo associativo, sujeito a disputas políticas e mudanças de comando, dificulta a chegada de grupos dispostos a realizar aportes capazes de reduzir a dívida e recolocar o clube entre as principais potências do continente.
Fonte: Texto do Filipe Cunha – Finanças Tricolor

Reforma estatutária seria o primeiro passo
Antes da criação de uma eventual SAF, o São Paulo precisaria aprovar mudanças estatutárias para separar claramente as funções entre o clube associativo e a empresa responsável pelo futebol.
Nesse cenário, o clube permaneceria responsável por preservar sua identidade, mantendo sob sua propriedade ativos considerados estratégicos, como o Morumbis, o CT de Cotia, a marca, o escudo, as cores e toda a história institucional.
Já a SAF assumiria integralmente a gestão do futebol profissional, operando de forma independente das disputas políticas internas, com administração profissional e regras rígidas de governança.
A proposta também prevê mecanismos como auditorias independentes, conselho de administração profissional e contratos de longo prazo para utilização da marca do São Paulo.
Investidor teria controle, mas com limites
Diferentemente de modelos em que o clube mantém o controle da empresa, a proposta sugere que o investidor detenha entre 70% e 90% da SAF, assumindo a administração completa do futebol.
Em contrapartida, o São Paulo conservaria uma participação minoritária e uma golden share, uma ação especial que garantiria poder de veto em decisões consideradas estratégicas.
Entre elas estariam possíveis mudanças no nome, escudo, cores, hino, sede, venda dos ativos históricos ou alterações nos contratos envolvendo o Morumbis e o CT de Cotia.
O objetivo seria permitir liberdade para a gestão do futebol sem abrir mão da identidade centenária do clube.
Blindagem contra problemas vistos em outras SAFs
Outro ponto defendido pelo modelo é a criação de uma série de mecanismos de proteção para evitar situações semelhantes às enfrentadas por clubes brasileiros que tiveram dificuldades após a implementação da SAF.
A proposta prevê que Morumbis e Cotia permaneçam fora da empresa de futebol, impossibilitando que esses patrimônios sejam utilizados como garantia em eventuais dívidas do investidor.
Também são sugeridas exigências de comprovação da capacidade financeira do comprador, aportes obrigatórios com garantias contratuais, proibição de retirar recursos da SAF para outros clubes do mesmo grupo econômico e cláusulas que permitam ao São Paulo retomar o controle caso o investidor descumpra obrigações assumidas.
Segundo a análise, somente após aprovar todas essas mudanças estruturais o clube estaria preparado para negociar com um investidor de grande porte. A proposta defende que o sucesso de uma eventual SAF dependeria menos do percentual vendido e mais das garantias jurídicas, patrimoniais e estatutárias estabelecidas antes da assinatura do negócio.
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