Uma reportagem publicada pelo ge revelou detalhes sobre a utilização do cartão corporativo do São Paulo durante a gestão de Julio Casares. Segundo o levantamento, o ex-presidente movimentou mais de R$ 1 milhão entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, incluindo despesas que posteriormente foram classificadas como de caráter pessoal e parcialmente ressarcidas ao clube.
De acordo com a apuração, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo em novembro de 2025. O caso passou a ser analisado internamente e integra um processo que pode resultar na expulsão do ex-dirigente do quadro associativo por suposta gestão temerária ou irregular.

Relatório cita gastos em viagens, restaurantes e lojas
As faturas obtidas pelo ge apontam despesas realizadas em diferentes estabelecimentos ao longo do mandato. Entre os registros aparecem restaurantes, hotéis, lojas de luxo, farmácias, clínicas médicas e outros serviços.
A reportagem também destaca gastos durante viagens internacionais, como a pré-temporada do São Paulo nos Estados Unidos e compromissos ligados à Seleção Brasileira durante a Copa América de 2024. Entre as despesas listadas estão compras em lojas de grife, refeições em restaurantes de alto padrão e outras cobranças realizadas no exterior.
Segundo o levantamento, parte dessas despesas foi considerada compatível com a função exercida pelo então presidente, enquanto outra parte acabou sendo reembolsada posteriormente.

Clube criou nova política para cartão corporativo
Outro ponto destacado é que o São Paulo não possuía, até o fim de 2025, uma política específica para utilização do cartão corporativo.
Após a devolução dos valores por Julio Casares, a atual gestão implantou regras formais determinando que o cartão seja utilizado exclusivamente para despesas institucionais, como viagens oficiais, reuniões de trabalho, hospedagens e compromissos relacionados às atividades do clube. O regulamento também passou a proibir expressamente gastos de natureza pessoal.
Em nota enviada ao ge, o São Paulo informou que todas as faturas das gestões anteriores estão sendo analisadas e afirmou que buscará o ressarcimento de eventuais despesas pessoais que venham a ser comprovadas.
Defesa de Casares se manifesta
Por meio de seu advogado, Julio Casares afirmou que os valores devolvidos correspondem apenas às despesas que poderiam gerar diferentes interpretações sobre o uso do cartão corporativo.
A defesa sustenta que as despesas restantes foram realizadas no exercício da presidência do clube e lembra que, durante sua gestão, não existia uma norma específica regulamentando o uso do cartão. Também destaca que foi o próprio Casares quem propôs a criação da política posteriormente aprovada pelo Conselho de Administração.
O caso segue em análise pelo São Paulo e pode ter novos desdobramentos conforme o andamento das apurações internas conduzidas pelo clube.
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