Novos desdobramentos da investigação envolvendo a antiga gestão do São Paulo vieram à tona nesta semana. Segundo informações divulgadas pelo ge, duas testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público afirmaram que o ex-presidente Julio Casares retirava mensalmente valores em espécie do clube entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026.
Julio Casares não é mais o presidente do São Paulo. Foto: Rubens Chiri
De acordo com os depoimentos, as retiradas variavam entre R$ 100 mil e R$ 118 mil por mês.
Testemunhas detalham como eram as retiradas
Uma das testemunhas afirmou que os valores eram entregues em dinheiro, dentro de um envelope lacrado e acondicionado em uma pasta.
“Era um valor variável, acho que uma vez por mês. R$ 100 mil, R$ 115 mil, R$ 118 mil… Em dinheiro. Num envelope, dentro de uma pasta ‘polionda’. O envelope vinha fechado, com plástico a vácuo. Então, eu não contava o valor, porque ele já vinha fechado. E tinha um recibo que especificava o valor.”
Segundo os relatos, os recibos mencionavam a rubrica “ações promocionais”, mas não detalhavam quais seriam essas ações. Posteriormente, ainda conforme os depoimentos, a justificativa apresentada teria sido a aquisição de ingressos.
Ainda de acordo com a reportagem, o São Paulo não localizou registros desses ingressos.
Uma das testemunhas declarou:
“Eu não consigo esclarecer (para onde foi esse dinheiro). Quem tem que esclarecer isso é o presidente. São quase R$ 7 milhões. Eu tenho a documentação, o recibo.”
São Paulo vê dívida explodir com Julio Casares. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
Investigação segue em andamento
Os depoimentos também descrevem que o clube mantinha um caixa destinado a despesas operacionais, como premiações de jogadores e outras necessidades do departamento de futebol.
Segundo uma das testemunhas, quando havia solicitação da presidência ou do futebol profissional, o dinheiro era retirado dos bancos por meio de carro-forte e armazenado em um cofre no Morumbi antes da entrega.
A mesma testemunha afirmou que nunca havia participado de procedimentos semelhantes durante administrações anteriores do clube.
Defesa de Julio Casares se manifesta
Em nota enviada ao ge, a defesa de Julio Casares afirmou que todas as movimentações financeiras do ex-presidente possuem origem lícita e legítima.
Júlio Casares. Foto: Rubens Chiri
Os advogados sustentam que os valores classificados como “ações promocionais” estavam devidamente registrados na contabilidade do São Paulo, vinculados à rubrica “adiantamentos em jogos”, e eram destinados a despesas relacionadas à realização de partidas do clube.
A defesa também afirmou que os ingressos distribuídos fazem parte da política institucional do São Paulo para dirigentes, conselheiros, atletas, familiares e ações de relacionamento, ressaltando que essas cortesias não possuem valor financeiro.
Por fim, os representantes do ex-presidente criticaram o vazamento de informações de uma investigação que tramita sob sigilo e disseram confiar que os fatos serão devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes.
Até o momento, trata-se de informações oriundas de depoimentos prestados no âmbito de uma investigação em andamento. Não há decisão judicial definitiva sobre o caso.