nação tricolor
Julio Casares é o presidente do São Paulo, time do Brasileirão que não gastou um centavo com direitos econômicos em 2025. (Foto: Reprodução/SPFC)
Julio Casares é o presidente do São Paulo, time do Brasileirão que não gastou um centavo com direitos econômicos em 2025. (Foto: Reprodução/SPFC)

São Paulo: Julio Casares nega acusações de roubo: “Sou vítima…”

A situação do ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (9). Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público afirmaram que, durante sua gestão no clube, Casares retirava mensalmente cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo dos caixas do Tricolor, levando os valores em envelopes e sacolas.

As declarações fazem parte da investigação que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo a administração do ex-mandatário.

Testemunhas relatam retiradas mensais

Segundo os depoimentos, cujos autores tiveram as identidades preservadas, as retiradas aconteciam aproximadamente uma vez por mês.

Uma das testemunhas descreveu como os valores eram entregues:

“Era um valor variável, acho que uma vez por mês. R$ 100 mil, R$ 115 mil, R$ 118 mil… Vinha em um envelope fechado, embalado a vácuo, dentro de uma pasta. Eu não contava o valor porque já vinha lacrado.”

Ainda conforme os relatos, os envelopes eram acompanhados por documentos que mencionavam “ações promocionais” ou aquisição de ingressos para partidas do São Paulo.

Julio Casares é o presidente o São Paulo até o fim de 2026. Foto: Rubens Chiri
Julio Casares não é mais o presidente do São Paulo. Foto: Rubens Chiri

Mais de R$ 11 milhões são investigados

A investigação aponta que, entre 2021 e 2025, o departamento financeiro do clube registrou 35 saques, que somariam aproximadamente R$ 11 milhões.

Além disso, a força-tarefa também apura depósitos em dinheiro que totalizariam cerca de R$ 1,5 milhão em contas ligadas a Julio Casares.

As testemunhas afirmaram que as justificativas apresentadas para as retiradas eram ações promocionais e compra de ingressos, mas disseram não ter conhecimento de documentos que comprovassem detalhadamente a destinação dos recursos.

Uma delas declarou:

“Eu não consigo esclarecer. Quem tem que esclarecer isso é o presidente. São quase R$ 7 milhões. O que existe é um recibo informando aquisição de ingressos pela presidência.”

Defesa afirma que movimentações eram regulares

Em nota, a defesa de Julio Casares negou qualquer irregularidade.

Os advogados afirmaram que toda a documentação referente às movimentações financeiras está devidamente registrada na contabilidade do clube e sustentaram que os pagamentos em espécie estavam relacionados à realização de, no mínimo, 172 partidas do São Paulo em diferentes competições.

São Paulo vê dívida explodir com Julio Casares. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
São Paulo vê dívida explodir com Julio Casares. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

Casares rebate acusações

O próprio Julio Casares também se manifestou após a divulgação dos depoimentos e negou todas as acusações.

“Mais uma vez, sou vítima de perseguição e de histórias criadas para abalar a minha reputação. Refuto veementemente as absurdas e falsas acusações desferidas a mim.”

O ex-presidente afirmou ainda que provará sua inocência durante a investigação.

“Sou plenamente inocente e fui envolvido num caso de armação orquestrada, até com vazamentos seletivos, mesmo com o sigilo e segredo de Justiça decretado.”

Casares também atribuiu o caso a uma disputa política dentro do clube.

“Tudo é fruto de uma guerra política fratricida com o objetivo exclusivo da luta pelo poder. Com respeito às autoridades, tudo será demonstrado e a verdade revelada nas devidas instâncias.”

Investigações continuam

O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público.

Até o momento, não há decisão judicial sobre as acusações, e Julio Casares nega qualquer irregularidade, afirmando que apresentará elementos para contestar os depoimentos e comprovar a legalidade das movimentações financeiras realizadas durante sua gestão no São Paulo.