A situação do ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (9). Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público afirmaram que, durante sua gestão no clube, Casares retirava mensalmente cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo dos caixas do Tricolor, levando os valores em envelopes e sacolas.
As declarações fazem parte da investigação que apura supostas irregularidades financeiras envolvendo a administração do ex-mandatário.
Testemunhas relatam retiradas mensais
Segundo os depoimentos, cujos autores tiveram as identidades preservadas, as retiradas aconteciam aproximadamente uma vez por mês.
Uma das testemunhas descreveu como os valores eram entregues:
“Era um valor variável, acho que uma vez por mês. R$ 100 mil, R$ 115 mil, R$ 118 mil… Vinha em um envelope fechado, embalado a vácuo, dentro de uma pasta. Eu não contava o valor porque já vinha lacrado.”
Ainda conforme os relatos, os envelopes eram acompanhados por documentos que mencionavam “ações promocionais” ou aquisição de ingressos para partidas do São Paulo.

Mais de R$ 11 milhões são investigados
A investigação aponta que, entre 2021 e 2025, o departamento financeiro do clube registrou 35 saques, que somariam aproximadamente R$ 11 milhões.
Além disso, a força-tarefa também apura depósitos em dinheiro que totalizariam cerca de R$ 1,5 milhão em contas ligadas a Julio Casares.
As testemunhas afirmaram que as justificativas apresentadas para as retiradas eram ações promocionais e compra de ingressos, mas disseram não ter conhecimento de documentos que comprovassem detalhadamente a destinação dos recursos.
Uma delas declarou:
“Eu não consigo esclarecer. Quem tem que esclarecer isso é o presidente. São quase R$ 7 milhões. O que existe é um recibo informando aquisição de ingressos pela presidência.”
Defesa afirma que movimentações eram regulares
Em nota, a defesa de Julio Casares negou qualquer irregularidade.
Os advogados afirmaram que toda a documentação referente às movimentações financeiras está devidamente registrada na contabilidade do clube e sustentaram que os pagamentos em espécie estavam relacionados à realização de, no mínimo, 172 partidas do São Paulo em diferentes competições.

Casares rebate acusações
O próprio Julio Casares também se manifestou após a divulgação dos depoimentos e negou todas as acusações.
“Mais uma vez, sou vítima de perseguição e de histórias criadas para abalar a minha reputação. Refuto veementemente as absurdas e falsas acusações desferidas a mim.”
O ex-presidente afirmou ainda que provará sua inocência durante a investigação.
“Sou plenamente inocente e fui envolvido num caso de armação orquestrada, até com vazamentos seletivos, mesmo com o sigilo e segredo de Justiça decretado.”
Casares também atribuiu o caso a uma disputa política dentro do clube.
“Tudo é fruto de uma guerra política fratricida com o objetivo exclusivo da luta pelo poder. Com respeito às autoridades, tudo será demonstrado e a verdade revelada nas devidas instâncias.”
Investigações continuam
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público.
Até o momento, não há decisão judicial sobre as acusações, e Julio Casares nega qualquer irregularidade, afirmando que apresentará elementos para contestar os depoimentos e comprovar a legalidade das movimentações financeiras realizadas durante sua gestão no São Paulo.
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