A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube concluiu o julgamento das representações disciplinares contra Antonio Donizeti Gonçalves, o Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social do clube.
Segundo informação de Alexsander Vieira, o colegiado decidiu, por maioria de votos, afastar a acusação de gestão temerária, mas reconheceu dano à imagem do São Paulo e sugeriu a aplicação de uma suspensão de 120 dias.
A decisão final caberá ao Conselho Deliberativo.

Gestão temerária foi afastada
Durante o julgamento, a Comissão rejeitou por unanimidade as preliminares apresentadas pela defesa, incluindo pedidos de sobrestamento, alegação de incompetência do órgão julgador e ausência de justa causa.
Na análise do mérito, porém, a maioria entendeu que não havia elementos suficientes para enquadrar a conduta de Dedé como gestão irregular ou temerária.
Com isso, também foi afastada a possibilidade de indenização ao clube.
Dano à imagem foi reconhecido
Apesar de afastar a acusação mais grave, a Comissão concluiu que Dedé causou dano à imagem do São Paulo.
O entendimento foi baseado no fato de o ex-dirigente ter prestado declarações utilizadas pela empresa FGOAL em ações judiciais movidas contra o próprio clube.
O enquadramento foi feito com base no artigo 10, alínea “q”, do Regimento Interno, combinado com o artigo 34, §4º, do Estatuto Social.

Suspensão sugerida é de 120 dias
Como não houve maioria sobre a penalidade, a Comissão adotou como referência a sanção menos gravosa ao representado.
A pena-base foi fixada em 90 dias de suspensão, com acréscimo de um terço pelo fato de Dedé integrar um dos Poderes do São Paulo.
Com isso, a sugestão final chegou a 120 dias de suspensão.
Conselho terá a palavra final
A recomendação será encaminhada agora ao Conselho Deliberativo do São Paulo, que decidirá se acata ou não a sugestão da Comissão de Ética.
Somente após essa etapa haverá definição sobre a aplicação da sanção.
Voto divergente evitou pena máxima
O voto parcialmente divergente do conselheiro José Edgard Galvão Machado foi decisivo para afastar a pena máxima de eliminação do quadro associativo.
Em seu entendimento, as provas apontaram irregularidades e falhas de governança, mas não comprovaram gestão temerária, vantagem pessoal, dolo ou prejuízo patrimonial que justificassem a exclusão de Dedé do clube.
Ao mesmo tempo, o conselheiro entendeu que a conduta exigia punição mais severa do que uma simples advertência.
Origem do caso
O processo teve origem em duas representações protocoladas na Comissão de Ética após a divulgação de documentos relacionados à atuação da empresa FGOAL no Clube Social.
Os autores das representações sustentaram que Dedé autorizou operações sem contrato formal e, posteriormente, forneceu declarações utilizadas pela empresa em disputas judiciais contra o São Paulo.
Agora, o caso entra em sua fase final dentro dos órgãos internos do clube.
Veja mais notícias do São Paulo, acompanhe os jogos, resultados e classificação além da história e títulos do São Paulo Futebol Clube.

