Existem derrotas que podem ser explicadas por um detalhe, uma falha individual, uma noite inspirada do adversário ou simplesmente pelo futebol. A derrota do São Paulo por 1 a 0 para a Chapecoense não cabe em nenhuma dessas justificativas.
O resultado na Arena Condá foi consequência de algo muito mais preocupante: a apatia de uma equipe que entrou em campo sabendo da importância da partida, mas se comportou como se não tivesse compreendido o tamanho do risco que corre no Campeonato Brasileiro.
O São Paulo enfrentou o lanterna da competição, uma equipe que tinha apenas uma vitória até então, conquistada ainda na primeira rodada contra o Santos. E não apenas perdeu. Mereceu perder.
Talvez essa seja a constatação mais dolorosa para o torcedor.
Não houve injustiça, azar ou domínio tricolor castigado por uma oportunidade isolada do adversário. A Chapecoense criou mais, pressionou melhor e mostrou mais disposição para vencer.

Rafael evitou um prejuízo ainda maior
Se alguém conseguiu sair da Arena Condá com desempenho individual positivo, foi Rafael.
O goleiro evitou que uma derrota por 1 a 0 se transformasse em algo ainda mais constrangedor. À sua frente, a defesa viveu uma noite para esquecer.
Sabino realizou provavelmente sua pior atuação na temporada. Domingos Duarte ficou muito abaixo do nível apresentado anteriormente, enquanto até Lucas Ramon, normalmente regular, encontrou dificuldades na marcação.
Os problemas não ficaram restritos à defesa.
Pablo Maia e Danielzinho foram superados no meio-campo, e o São Paulo teve enormes dificuldades para controlar uma região que deveria ser fundamental diante do lanterna.
Cauly tentou de fora da área, mas errou suas finalizações. Artur desperdiçou, logo aos cinco minutos, uma oportunidade que poderia ter mudado completamente o rumo da partida.
Luciano, tantas vezes responsável por resolver os problemas ofensivos, ainda acertou a trave.
Nada funcionou.
Gustavo Santana foi uma das poucas respostas
Como se o desempenho coletivo já não fosse preocupante, Calleri precisou deixar a partida ainda no primeiro tempo por lesão.
A entrada de Gustavo Santana acabou sendo uma das raras notícias positivas.
O jovem atacante mostrou movimentação, disposição e quase conseguiu o empate em uma oportunidade dentro da pequena área. Não resolveu o problema, mas demonstrou uma intensidade que faltou a boa parte dos companheiros.
E isso também deveria servir como reflexão.
Em uma partida na qual o São Paulo precisava desesperadamente vencer, foi justamente um garoto que saiu do banco quem conseguiu transmitir parte da urgência que a situação exigia.

Nem Dorival conseguiu defender o São Paulo
Dorival Júnior costuma procurar aspectos positivos mesmo nos momentos mais complicados. Faz parte do trabalho de um treinador proteger o elenco e tentar encontrar sinais de evolução.
Dessa vez, não havia muito o que defender.
O próprio treinador classificou a atuação como “inadmissível” e “vergonhosa” depois da partida.
É difícil discordar.
Dias antes, o São Paulo havia vencido o Bolívar por 3 a 1 e garantido classificação às quartas de final da Copa Sul-Americana. A expectativa natural era de que aquela noite pudesse representar uma virada de chave.
Não representou.
Em Chapecó, o time regrediu.
E regrediu justamente diante de um adversário que, olhando exclusivamente para a classificação, deveria representar uma oportunidade para acabar com o longo jejum no Brasileirão.
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